Skip to main content

Há três palavras capazes de melhorar qualquer semana. Não, não é “eu pago o almoço”. Também não é “hoje é sexta-feira”. É “fim de semana prolongado”!  

Convenhamos que poucas coisas soam tão bem como descobrir que o calendário nos presenteou com um dia extra de serenidade e liberdade. 

Há viagens que exigem meses de planeamento, malas impossíveis de fechar e uma dúzia de separadores do Google abertos ao mesmo tempo. E há aquelas que pedem apenas uns dias livres e vontade de partir. 

Mondego-Bussaco é uma dessas boas surpresas. Com uma localização central e acessos cómodos a partir do Norte e do Sul do país, permite passar menos tempo na estrada e mais tempo a descobrir. Da riqueza das paisagens naturais à história e às tradições locais, sem esquecer uma gastronomia que merece ser saboreada sem pressas, há muito para descobrir e boas razões para partir à aventura. 

E então, caro leitor, já foi espreitar o calendário à procura do próximo feriado? 

Bom fim de semana prolongado! 

Dia 1: Mealhada 

Manhã: 📍 Mata Nacional do Bussaco

Para dar início a um fim de semana prolongado, poucos são os lugares que convidam a abrandar como a Mata Nacional do Bussaco.  

Classificada como monumento nacional desde 2018, a Mata guarda um património natural e cultural único capaz de transportar os seus visitantes para um universo paralelo. Os seus 105 hectares foram refúgio para monges e reis que aqui encontraram a atmosfera perfeita para repousar, tendo estas terras testemunhado, também, a bravura anglo-lusa durante as tentativas de invasão napoleónica. 

Ao longo dos séculos, a Mata acolheu espécies provenientes de diferentes geografias, que aqui encontraram condições para crescer e prosperar. Hoje, cerca de 250 espécies de árvores e arbustos fazem deste lugar um verdadeiro santuário botânico, onde coexistem mais de 150 espécies de vertebrados. Caminhar pela Mata é descobrir diferentes paisagens do mundo sem sair de Portugal. 

Contudo, a riqueza da Mata não se esgota na sua biodiversidade. O seu conjunto monumental é vasto e também merecedor de atenção, este destaca a presença do Palace Hotel do Bussaco, do Convento de Santa Cruz, da Via Sacra (3km), do Museu Militar do Bussaco, entre outras tantas capelas, fontes, cruzeiros e miradouros. 

A Mata Nacional do Bussaco é também um espaço de encontro entre natureza e bem-estar. Reconhecida como a primeira Floresta Terapêutica da Península Ibérica e a quarta a nível mundial a receber esta certificação, convida a descobrir os benefícios da natureza para a saúde e o bem-estar, num momento de harmonia entre corpo e mente. 

À mesa: Depois de uma manhã de descoberta, é tempo de rumar à Bairrada e saborear um dos seus grandes clássicos: leitão assado e espumante fresco da região, rematados por uma fatia de Morgado do Bussaco. Uma verdadeira epopeia de sabores, à altura dos esforços matinais.  

Mata Nacional Bussaco

Início da tarde: 📍 Casa Rural Quinhentista

A tarde começa com uma viagem ao passado, na freguesia da Pampilhosa, onde se encontra a Casa Rural Quinhentista, também conhecida como Casa dos Melos. Este exemplar de arquitetura civil do século XVI foi originalmente construído como celeiro das freiras do Mosteiro de Lorvão. 

A escadaria exterior, a varanda assente em pilares de pedra e o antigo lagar de azeite preservam a memória de uma família marcante na história local, os Mello. Em 1849, esta família adquiriu o celeiro e o lagar à Abadessa de Lorvão, vindo a afirmar-se como uma das maiores produtoras de azeite entre o Douro e o Mondego. 

Hoje, a casa acolhe o Museu do GEDEPA, onde a história do azeite se cruza com a cerâmica das Devesas, os antigos ofícios e os objetos do quotidiano. Reunido, em grande parte, graças à generosidade da comunidade, o espólio recria ambientes domésticos e dá a conhecer os costumes e modos de vida de outras gerações, revelando as raízes e a identidade da Pampilhosa. 

Mais do que observar peças antigas, a visita permite descobrir os ofícios de outros tempos, conhecer os seus utensílios e materiais e entrar em espaços que recriam fielmente os hábitos e costumes do quotidiano de outrora. Uma experiência que dá vida à história e aproxima os visitantes de uma realidade distante para muitos, revelando, através dos sentidos, outras formas de viver e trabalhar que permanecem na memória coletiva. 

Casa Rural Quinhentista

Fim de tarde: 📍 Lago do Luso

Para encerrar o dia sem pressas, sugere-se uma visita ao Lago do Luso, um autêntico anfiteatro natural no coração da vila. Concluído em 1963, como complemento à Estação Termal, é hoje um espaço de lazer onde o verde da paisagem se reflete no espelho de água, criando um cenário convidativo ao descanso. 

Com parque de merendas, parque infantil, cafetaria e restaurante, além de piscinas, campos de ténis e um pavilhão nas imediações, há espaço para todos os ritmos. Estenda a toalha, partilhe um lanche, deixe os mais novos brincar ou simplesmente desfrute da tranquilidade do lugar enquanto o sol se põe e pinta a paisagem com os últimos tons do dia. 

Dica: Ao passar pela vila do Luso, aproveite para provar os doces tradicionais da região. Uma caixa de caramujos é a companhia perfeita para um lanche tranquilo à beira do lago. 

Lago do Luso

Dia 2: Mortágua

Manhã: 📍 Percurso das Quedas de Água das Paredes

As Quedas de Água das Paredes são o ponto alto de um percurso pedestre com cerca de 7,1 km, ida e volta, que começa nos Moinhos das Laceiras e segue até à aldeia de Paredes. 

Ao longo de aproximadamente uma hora e meia, o trilho revela as ruínas de sete moinhos de água que, outrora, desempenharam um papel importante na agricultura local. Pelo caminho, vale a pena descobrir a aldeia de xisto de Paredes e conhecer de perto a tranquilidade e a hospitalidade das suas gentes. 

Embora o eucalipto domine a paisagem vegetal, outras espécies arbóreas e arbustivas enriquecem o percurso. Com alguma atenção, também é possível avistar diferentes espécies de animais que habitam estas matas, tornando a caminhada ainda mais surpreendente. 

O percurso termina junto a uma cascata natural com cerca de 30 metros de altura, formada por vários patamares e pequenas piscinas naturais. Um dos recantos mais emblemáticos de Mortágua, onde a água e a vegetação se encontram num cenário de grande beleza natural. 

À mesa: É tempo de recuperar energias com a Lampantana, uma das grandes especialidades gastronómicas de Mortágua. Confecionada à base de carne de ovelha e acompanhada por um bom tinto do Dão, é uma iguaria de sabores intensos que leva à mesa a tradição e a autenticidade da cozinha local. 

Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha do Bussaco”

Início de tarde: 📍 Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha do Bussaco” 

O Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha do Bussaco” recupera o papel estratégico do concelho na 3.ª Invasão Francesa, quando o exército de Massena, com cerca de 65 mil homens, atravessou o rio Criz a caminho do Bussaco, e as forças anglo-lusas de Wellington, com 50 mil, preparavam a defesa. 

Pela sua posição estratégica e pela ligação entre diferentes vias de comunicação das Beiras, Mortágua foi palco da passagem das tropas, tanto durante o avanço francês como na retirada. Mais de dois séculos depois, este episódio continua a marcar a memória do território e a lembrar o impacto da guerra nas populações locais. 

Através de mapas, armas, fardas, documentos e recursos interativos, o Centro dá vida a este capítulo da história, aproximando os visitantes dos acontecimentos e das estratégias militares da época.  

Uma visita que alia conhecimento e descoberta, ideal para os amantes de história e para as famílias e grupos de amigos que procuram conhecer melhor o passado da região. 

Percurso das Quedas de Água das Paredes

Meio/fim de tarde: 📍 Adega Boas Quintas

Para fechar o dia com uma experiência memorável, siga até à Quinta da Giesta, onde a Adega Boas Quintas abre as portas ao universo dos vinhos do Dão. Rodeada por 12 hectares de vinha, a adega disponibiliza diferentes experiências vínicas, que incluem uma visita guiada à vinha e às instalações, culminando numa prova comentada dos seus vinhos. 

Para quem dispõe de mais tempo e procura uma experiência menos convencional, vale a pena considerar «O Meu Vinho». Com uma duração aproximada de 2h a 2h30, esta proposta convida a conhecer de perto o processo de criação de um vinho, desde a prova de três vinhos monovarietais à combinação de aromas e estrutura para criar um lote próprio.  

A experiência inclui ainda o engarrafamento e a conceção do rótulo, permitindo levar consigo um vinho concebido ao seu gosto. Uma forma singular de terminar o dia, aliando o prazer de degustar à arte de criar. 

Dica: Todas as experiências estão sujeitas a marcação prévia, com pelo menos dois dias úteis de antecedência, e requerem um mínimo de dois participantes.

Adega Boas Quintas

Dia 3: Penacova 

Manhã: 📍 Miradouro do Penedo do Castro

A manhã começa em Penacova, num ponto alto e com vista priveligiada. O Penedo do Castro destaca-se na paisagem como um afloramento granítico que constitui um dos principais pontos de observação sobre o núcleo urbano e o vale do Mondego. Em 1908, o local recebeu o nome em homenagem a Augusto Mendes Simões de Castro, escritor e promotor da região, cuja memória é assinalada por uma lápide desenhada pelo arquiteto Raúl Lino. 

O miradouro integra o PR1 PCV – Penacova e o Rio Mondego, um dos percursos pedestres sinalizados do concelho. Para quem percorre o trilho, a aproximação final faz-se por uma escadaria que vence o desnível até ao afloramento. No topo, a posição sobranceira proporciona uma leitura privilegiada da paisagem, desde o tecido urbano de Penacova ao vale encaixado do Mondego, onde o curso de água e as vertentes definem a morfologia do território. 

À mesa: Penacova é um baú gastronómico de comida de conforto. Conforme a época, deixe-se tentar pelo Arroz de Míscaros, pelo Cabrito Assado, pela Chanfana ou pelos Peixinhos do Rio. (Confie, a qualidade dos restaurantes locais raramente desilude). 

Miradouro do Penedo do Castro

Início da tarde: 📍 Centro Interpretativo do Palito

Almoço terminado, falta cumprir um último ritual (há quem diga que não faz muito bem!). Aqui fica um enigma para o grupo: Entre dentes e pratos, é o aliado perfeito. Não é grande, mas é cheio de jeito. Conseguem adivinhar quem será e como surgiu? 

Em Lorvão, um objeto tão simples como um palito conta uma história de engenho, tradição e transformação económica. O Centro Interpretativo do Palito, instalado na localidade, dedica oito salas a este ofício emblemático de Penacova, cuja produção alcançou mercados internacionais e marcou a vida de várias gerações. 

A tradição está profundamente ligada ao Mosteiro de Lorvão, onde as monjas utilizavam palitos de madeira na decoração da doçaria conventual. Com a extinção das ordens religiosas, no século XIX, este saber artesanal ultrapassou os limites do mosteiro e ganhou expressão como atividade económica, tornando-se uma importante fonte de rendimento para a população local. A disponibilidade de matérias-primas, como o salgueiro-branco e o choupo, contribuiu para o desenvolvimento do ofício, reconhecido pela minúcia e pelo apuro técnico do trabalho. 

Ao longo da visita, paliteiros cedidos pelo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e testemunhos em vídeo da comunidade ajudam a compreender a evolução desta atividade e a sua importância na identidade local. Mais do que um objeto do quotidiano, o palito revela a forma como um saber artesanal se enraizou no território e se tornou parte da sua memória coletiva. 

Dica: Aproveite a passagem por Lorvão para provar a doçaria conventual, em particular as Nevadas e os Pastéis de Lorvão. Uma forma deliciosa de prolongar o contacto com o património histórico e gastronómico desta terra. 

Centro Interpretativo do Palito

Final de tarde: 📍 Miradouro da Serra da Atalhada

Na Serra da Atalhada, o vento faz parte da paisagem e da memória do território. A cerca de 340 metros de altitude, no cume da serra, um conjunto de 23 moinhos de vento tradicionais recorda o tempo em que estes engenhos eram essenciais à economia rural, aproveitando a força do vento para transformar os cereais em farinha. 

Com o abandono da atividade, muitos destes engenhos acabaram por ruir. Alguns foram, contudo, recuperados e adaptados a alojamento turístico, permitindo dar novos usos a este património e preservar a sua presença na paisagem.  

O conjunto integra um património molinológico de grande relevância, que faz de Penacova um território de referência na preservação destes engenhos tradicionais. 

Reserve algum tempo para contemplar o pôr do sol, enquanto a luz se transforma sobre os montes e os moinhos se recortam no horizonte. Há lugares que ficam na memória não apenas pelo que revelam, mas também pelo que nos fazem sentir. Que este seja um desses momentos: uma despedida serena de três dias a percorrer o território do Mondego-Bussaco, com uma paisagem que continuará consigo muito depois do regresso a casa. 

Miradouro da Serra da Atalhada

Três dias, três municípios, e a sensação de que muito ficou por ver? Esse é o verdadeiro encanto de Mondego-Bussaco. Um território que não se esgota num só fim de semana, por mais prolongado que seja, e que guarda sempre uma nova paisagem para contemplar, uma nova história para escutar e um novo sabor para degustar. 

Fica o convite para regressar, porque há destinos que se visitam e outros que connosco permanecem mesmo depois do regresso. Mondego-Bussaco aguarda sereno o reencontro. 

Sem pressas, dê tempo ao território para se apresentar.    

Experiências Mondego-Bussaco

3 experiências com assinatura ‘Mondego-Bussaco’ para conhecer e usufruir de um território único no Centro de Portugal.

Dê tempo à nossa…  

Natureza

Dê tempo à nossa… 

História 

Dê tempo à nossa… 

Gastronomia e Vinhos 

Mondego-Bussaco
Política de privacidade

Conheça a política de privacidade AQUI